cama desfeita

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Imagem maldita da infância, quando “fazer a cama” era regra incontornável

e, com pena, se puxavam e fechavam os lençóis quentinhos.

 

Muito mais tarde, descobre-se que deixar a cama aberta é mortal para os ácaros.

Secam, desidratam, morrem.

É engraçada a ideia, que um sítio de prazer e de preguiça, de conforto e calidez,

deixado aberto, exposto, ao sol, se metamorfoseie em armadilha invisível.

 

Muito mais engraçado que o libelo protector dos ácaros: já fizeste a cama?

imobilidade (s)

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Gosto de esculturas humanas.

Especialmente, quando posso imaginar para onde olham ou o que representam.

Eventualmente por resistirem.  Ao vento, à chuva, às intemperies, ao tempo.

Também pela quietude.

Ou apenas por pura inveja.

 

… como fogo

labaredas

As palavras são como fogo.

Pontes de descoberta de um novo mundo, fazem dançar à luz das suas labaredas.
Algumas palavras aquecem, num consolo de quem trouxe a chama e a partilhou
ou de si-para-si, mirado ao espelho, quando a chama se duplica e triplica…

Muitas palavras curam, ainda que queimando ou por isso mesmo. E o poder cauterizante deixa cicatrizes guerreiras que outras palavras calorosamente ígneas alisarão.

Há palavras que queimam, fazem bolhas e cortam laços, armadilham caminhos. Umas quantas podem ficar como lava oculta, escondidas sob as pedras e vão aquecendo, devagar.
Cintilantes no ardor ou próximas do fogo gelado, tanto deixam marca como reduzem a cinzas. E das cinzas às vezes renascem, ou delas se renasce. Palavras-quentes-de-magia que transportam vida.

Algumas palavras andam carregadas de fogo tremeluzente, encantadoras e hipnóticas, atraindo as borboletas.
Fogo-fátuo, que prometem sem dar, como o latão brilha sem ser precioso.

E há palavras que, no vítreo da passagem, fazem a purificação e derretem as impurezas – deixam apenas o ouro: palavras que transmutam…
O transe do fogo dançando assemelha-se ao murmúrio de palavras ardentes. Deixam rasto de fogo na leveza.
No aromático cheiro da vela que se vai afogando na cera em chama.
Ah, e a luz das chamas… das palavras que incendeiam e iluminam. Permitem ver e aguçam o espírito num fogo-grego.

Fogo-de-artifício da alma, podem ser as antípodas de si mesmas – poderosas e destruidoras ou tão frágeis que um sopro ou um chuvisco pode apagá-las.

Há palavras de erupções e incêndios, como há de dormências e ausência de fogo. Amodorradas, acinzentadas, vazias e ocas.
Às vezes, é preciso fricção para brotar, num incandescente instante.
E depois, quase apavoram pelo poder que invocam e porque pode ser preciso palavras-de-queimadas para deter o incêndio.
Cortinas-de-fogo, lava coalescente que não permite senão sentir.
E há palavras-faúlhas, como beijos pequeninos.
Palavras-fogo-posto, que se atiram a devorar adiante e em redor.

Palavras são como fogo e muito depende das matérias que encontrarem para se transformarem…

 

 

espaços

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há um especial gosto por cadeiras… qualquer que seja o material, com ou sem mesa associada. Nem é pelo conforto ou pela paisagem, se bem que ambos sejam boas companhias. Aliás, pensando bem, essas companhias podem até ser determinantes.

Mas o especial prazer é o de parar sem ser em pé, de recostar-se a sentir o corpo acomodar-se. E ao mesmo tempo espraiar os olhos, gulosamente às vezes…

E assim, em três ou quatro linhas, muda-se de opinião… há um gosto especial por cadeiras, melhor quando bem colocadas em termos de paisagem. Sendo certo que pode nem haver paisagem nenhuma.

de viagens

992826_10151775443302534_423935139_nMesmo quando viajar não é tão confortável, há um especial conforto em viajar… como se a pele do dia a dia fosse revestida ou trans-formada, se pudesse entrar num modo outro, de um fazer de conta que é mais seriamente livre.

e sim, como na imagem, é uma espécie de bilhete para um, ementa singular, espaço individual, que os vividos desta natureza não são, mesmo que comunicados, realmente partilhados.

Há um solipsismo associado…

cercar o fogo

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Há uma espécie de deslumbramento nas labaredas… num fogo vivo, oscilante, dançante na brisa.  Claro que incendiar (Roma ou outro sítio qualquer) é demasiado, mesmo que se compreenda o prazer de ver o fogo.  Um pouco como o excesso húbrico dos gregos ou a des-medida pecadora dos medievais. Por isso, há que cercar o fogo, rodeá-lo de água (ou terra), de um elemento que o contenha, sob pena do apreciador se imolar sem querer.

 

Making More Images

Leanne Cole PHOTOGRAPHY

I have been a tad busy the last couple of days.  I decided to try the Creative Cloud and do photoshop, and as there are with any new things, there are problems.  I decided that since the only program I wanted was Photoshop, it seemed like a pretty fair deal.  You never own it, but you always get updates, that can’t be too bad.

So I have installed it, then looked for plugins that used to be there, and now they aren’t.  Though I wasn’t the only one with that.  It has been another huge learning curve.

Leanne Cole - Alice Looking

Here is one of the first images I processed with Photoshop CC.  It is another one of Alice, processed differently to the other one.

Today I was given an opportunity to photograph Emelia.  She was great to photograph again.  I have quite a few images to process, but I did do one.

Leanne Cole - Waiting for the Prince

This…

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